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Baixa percentagem de realização de testes de despistagem ao VIH nos serviços de urgência, nos Estados Unidos
Derek Thaczuk, Wednesday, November 19, 2008
De acordo com uma análise transversal, publicada na edição de Outubro da revista AIDS, as taxas de realização do teste de despistagem ao VIH referentes ao período entre 1993 e 2005 foram extremamente baixas nos serviços de urgência hospitalar dos Estados Unidos da América. No decurso de 867 milhões de visitas efectuadas durante esse tempo estima-se que foram realizados 2,8 milhões de testes - uma taxa de apenas 0,32%. O teste foi realizado com mais frequência entre os afro-americanos, os hispânicos e entre as pessoas com idades compreendidas entre os 20 e os 39 anos.

Os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) Centros de Controlo e Prevenção de Doenças estimam que entre 1 a 1,2 milhões de americanos (0,5% da população geral dos E.U.A. com idades compreendidas entre os 18 e os 49 anos) são seropositivos para o VIH e que um quarto destes não tem conhecimento do seu estatuto serológico. Os serviços de urgência foram identificados como um local crítico para a realização do teste e as recomendações do CDC foram evoluindo ao longo da evolução da epidemia; a mais recente dessas recomendações (publicada em 2006) estabelece que o teste para o VIH deve ser aplicado por rotina, a menos que o doente declare que não o quer realizar, em locais de atendimento de emergência.

Os dados sobre a realização de testes de despistagem nas instalações acima referidas dos E.U.A. constam do relatório anual (disponibilizado online) do National Hospital Ambulatory Medical Care Survey (NHAMCS). No estudo publicado recentemente na AIDS, uma equipa da Universidade Johns Hopkins analisou os dados do NHAMCS referentes ao período de 13 anos, decorrido entre 1993 e 2005. A análise incluiu os dados de todos os doentes com idades compreendidas entre os 13 e os 64 anos; os números foram ponderados por um esquema recomendado pelo CDC de forma a produzir estimativas representativas da população norte-americana.

Enquanto decorreu o estudo, o NHAMCS recolheu dados sobre 247.179 visitas efectuadas aos serviços de urgência; o teste para o VIH foi realizado em 1059 destas visitas. Esta amostra corresponde a um total nacional de 867 milhões de visitas para os doentes com idades entre os 13 e os 64 anos. Do total nacional, estima-se que o teste para o VIH foi realizado em 2,8 milhões de pessoas (intervalo de confiança 95% [CI], 2.4-3.2 milhões) - uma taxa estimada de 0,32% (95% CI, 0,28% -0,37%).

As taxas de realização do teste variaram ao longo dos anos, mostrando uma tendência de declínio entre 1993 e 2002 e, uma tendência para aumentar novamente entre 2003 e 2005. No entanto, não foi possível identificar uma tendência ao longo dos anos.

As taxas mais elevadas foram observadas em afro-americanos (0,50%; IC 95%, 0,40%-0,60% versus caucasianos - 0,27% IC 95%, 0,23%-0,32%), hispânicos (0,49% [IC 95%, 0,36%-0,62%] versus não-hispânicos - 0,31% [IC 95%, 0,27%-0,36%]), pessoas com idade entre os 20 e 39 anos (0,39%; IC 95%, 0,31% -0,47%), aqueles cujo pagamento foi coberto por uma seguro de trabalho (0,97%; IC 95%, 0,70% -1,24%) e doentes do nordeste do país (0,49%; IC 95%, 0,36%-0,63%). Os dados foram semelhantes para homens e mulheres, apesar de nos E.U.A. a prevalência do VIH ser três a cinco vezes mais elevada entre os homens. Várias explicações, nenhuma conclusiva, foram dadas para a existência de um número mais elevado de testes efectuados em mulheres.

Talvez sem surpresa, a probabilidade de fazer um teste para o VIH foi superior nos doentes que apresentavam lesões provocados pela utilização de seringas, vítimas de violação ou agressão sexual, ou que tivessem estado expostas a fluidos corporais de outra pessoa. No entanto, o teste também foi realizado mais frequentemente em indivíduos que se apresentaram com febre (odds ratio ajustado [OR] 1,88; IC 95%, 1.30-2.74) ou com sintomas de perturbações psicológicas/mentais (OR 1,87; IC 95%, 1.18-2.96); estes sintomas poderão ter sido encarados como marcadores de infecção ou de risco de infecção.

Os investigadores concluíram que, “este primeiro estudo americano plurianual representativo da população" de realização do teste para o VIH nos serviços de urgência, apresentou taxas extremamente baixas "mesmo desde 2001, quando o CDC defendeu explicitamente a inclusão dos serviços de urgência como um local de realização do teste por rotina. "A realização do teste também "pareceu ser impulsionada pela apresentação clínica do doente ... Dado o potencial papel dos serviços de urgência na estratégia nacional de redução da infecção pelo VIH, outras investigações suplementares devem ser feitas para descobrir e atenuar as razões para as baixas taxas de realização do teste de despistagem do VIH nestes locais. "

Referência:
Hsieh Y-H et al. National estimation of rates of HIV serology testing in US emergency departments 1993–2005: baseline prior to the 2006 Centers for Disease Control and Prevention recommendations. AIDS 22:2127–2134, 2008.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA