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Um terço dos africanos que vive em Inglaterra não sente que consiga evitar a infecção pelo VIH
Roger Pebody, Thursday, August 14, 2008
De acordo com os resultados do inquérito BASS Line, o maior estudo alguma vez realizado sobre prevenção da infecção pelo VIH entre os africanos residentes em Inglaterra, existe evidência de que este grupo populacional se sente “desmotivado e sem poder” para usar o preservativo, discutir as práticas de sexo seguro e evitar a infecção pelo VIH. Cerca de um terço dos inquiridos seronegativos para o VIH não sente que controla a situação em relação aos riscos de infecção pelo VIH; quase um terço dos que usam preservativo referiu ter tido falhas no uso do mesmo; cerca de um terço de todos os que responderam ao inquérito referiu preocupação sobre as consequências sociais resultantes de trazer preservativos consigo.

O estudo Bass Line foi desenvolvido pela Sigma Research e pelo Programa Nacional de Prevenção do VIH para os africanos (NAHIP), com o objectivo de avaliar as necessidades de prevenção entre os adultos que se identificam como africanos e que vivem em Inglaterra. O inquérito de auto-preenchimento, em forma de brochura, foi distribuído nos serviços de saúde e esteve disponível online, tendo sido promovido pela comunidade africana e por sites comerciais.

Obtiveram-se um total de 4.712 respostas. Os dados demográficos e os resultados referentes aos obstáculos à despistagem do VIH podem ser encontrados no site da aidsmap.com.

Embora a maioria dos inquiridos tivesse sido recrutada pelos serviços de saúde que distribuem preservativos, verificou-se que 25% dos participantes não sabia que os preservativos eram distribuídos gratuitamente nas consultas de saúde sexual, de planeamento familiar e nas organizações não-governamentais. Um número semelhante (23%) afirmou que, por vezes, tinha dificuldade em obter preservativos.

Para além disto, cerca de um terço dos inquiridos (29%) concordou com a seguinte afirmação: ”Preocupo-me com o que as pessoas vão pensar sobre mim se souberem que eu ando com preservativos.” Os que concordaram com esta afirmação tinham igualmente tendência a referir dificuldade em arranjar preservativos, confirmando que obter preservativos e usá-los, pode ser difícil num contexto de desaprovação social.

Como forma de aferir a confiança na capacidade dos/das inquiridos/as em discutir práticas de sexo seguro com um/uma novo/a parceiro/a, foi perguntado se concordavam ou discordavam com a seguinte afirmação: “Acho fácil falar sobre práticas de sexo seguro e VIH com um/uma novo/a parceiro/a sexual.” Verificou-se que 63% concordaram e 37% expressaram desacordo ou afirmaram “não sei”.
De forma semelhante, em relação à afirmação “Consigo usar preservativo sempre que quero”, 29% expressaram desacordo ou responderam “não sei”.

Para além disto, 30% dos inquiridos que tinham usado preservativo no último ano, referiram episódios de rotura de preservativo ou deslocação do mesmo durante a prática sexual, no mesmo período de tempo. Estes participantes tinham mais tendência a referir comportamentos que podem conduzir a falhas no uso do preservativo, nomeadamente, o uso de um preservativo durante mais de meia hora ou a ausência de uso de lubrificante á base de água.

Entre as pessoas que afirmaram que achavam que não eram seropositivas para o VIH, 92% referiram que não se queriam infectar com este vírus. No entanto, em resposta à afirmação “Eu controlo a situação em relação à infecção pelo VIH, ou seja, eu sei se me infecto ou não”, 38% discordaram ou escolheram a opção “não sei”. Para além disso, 25% das pessoas diagnosticadas com VIH não concordaram com uma afirmação semelhante relacionada com o controle da transmissão da infecção pelo VIH.

Os investigadores referem que um dos objectivos chave da promoção da saúde é o controlo que os próprios têm sobre a infecção pelo VIH nas práticas do dia-a-dia, mas estes resultados sugerem que uma proporção significativa dos participantes não tem conhecimento, capacidade, nem formas de exercer o referido controlo. São necessárias intervenções que aumentem a confiança e as capacidades individuais, com vista a evitar as práticas de sexo de risco.

O relatório recomenda igualmente que as intervenções sobre o uso do preservativo devem incluir estratégias de negociação do uso do mesmo e deveriam ter como objectivo aumentar a aceitação social no que se refere a ter e a usar preservativos. Tais intervenções e a distribuição de preservativos devem incluir explicações sobre as práticas que contribuem para a falha dos preservativos.

Catherine Dodds, a investigadora principal comentou: ”Estes resultados identificam claramente o tipo de prevenção do VIH mais necessária aos africanos que vivem em Inglaterra. Esta informação detalhada sobre as necessidades dos africanos pode ajudar as organizações que financiam ou que servem esta comunidade a melhor utilizar os parcos fundos que dispõem.

Referência
Dodds C et al. BASS Line 2007 Survey : assessing the sexual HIV prevention needs of African people in England. Sigma Research, 2008.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA