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A Hepatite B oculta é mais comum em pessoas com infecção VIH, mas hepatite C oculta é rara
A infecção oculta pelo vírus da hepatite B (VHB) está fortemente relacionada com supressão imunológica provocada pela infecção pelo VIH. Tal foi demostrado numa coorte de mulheres norte americanas, sendo a infecção oculta pelo vírus da hepatite C (VHC) rara, de acordo com uma apresentação realizada na quinta-feira passada, na XVII Conferência Internacional de SIDA.
As infecções ocultas referem-se a infecções persistentes por VHC ou VHB, nas quais não é possível detectar os marcadores serológicos habituais (antigénios ou anticorpos no sangue). Estas infecções só se confirmam testando directamente o material genético dos vírus (VHB-ADN ou VHC- ARN). Devido às diferenças nas definições e nos métodos de teste, vários estudos calcularam uma estimativa de prevalência de VHB oculto entre 0% e 89% e a prevalência de VHC oculto entre 0% e 13%.
Lynn Taylor e colegas da Brown University, procuraram testar estas prevalências e a relação entre o VIH e a hepatite oculta. Foi conduzida uma análise retrospectiva dos dados obtidos entre 1993 e 2000, de 549 mulheres seropositivas para o VIH e de 296 mulheres em risco de se infectarem pelo VIH, da coorte do HIV Epidemology Research Center (HERS).
A HVB oculta foi definida como uma situação em que existe VHB-ADN presente no sangue de modo persistente mas sem detecção dos antigénios (HBsAg) de superfície, enquanto que a HVC oculta foi definida como uma hepatite com VHC-ARN detectável, mas com anticorpos virais indetectáveis em duas análises, com 6 meses de diferença.
Foram usados múltiplos momentos de verificação para diferenciar infecções ocultas e o estado agudo de infecção VHB ou VHC – isto é, antes que o sistema imunitário produza anticorpos suficientes para serem detectados no teste e antes que o AgHBs se torne também detectável – ou ainda eliminação do VHB com desaparecimento do AgHBs.
Na consulta prévia ao inicio do estudo, os investigadores testaram as mulheres para AgHBs (positivo em 2,6%), para anticorpos da hepatite B (positivo em 52%) e anticorpos VHC (positivos para 54%).
Num segundo momento de verificação, foi medido o VHB-ADN e o VHC-ARN, usando o teste ultra sensível da Roche, o COBAS TaqMan nucleic acid assay, que tem um limite de detecção de 15 UI/ml (Unidades Internacionais por mililitro) para o VHB, e de 11 UI/ml para o VHC.
Entre as mulheres classificadas inicialmente como tendo HVB oculta, algumas progrediram para infecção crónica (o que sugere que na primeira visita tinham sido detectadas durante a infecção aguda primária) e algumas eliminaram espontaneamente o vírus, restando 26 mulheres (3,2%) com VHB persistente e oculto na última visita. Examinando apenas as mulheres infectadas pelo VIH, a taxa de infecção oculta e persistente de VHB era de 7,4%.
Todas as mulheres com VHB oculto eram seropositivas, comparando com 79% das que tinham infecção VHB crónica e 69% que tinham estado expostas ao vírus mas que o eliminaram. As mulheres com infecção VHB oculta tinham uma maior e mais significativa probabilidade do que as mulheres com infecção crónica de terem uma historia pessoal de uso de drogas injectadas (89% vs. 57%) e de também estarem infectadas com VHC (88% vs. 43% para anticorpos VHC; 77% vs. 29% para VHC-ARN).
Analisando apenas as mulheres infectadas pelo VIH, as que tinham infecção VHB oculta, tinham uma contagem de células CD4 inferior (205 vs. 326 células/mm3) e também uma carga viral para o VIH mais elevada (36 725 vs. 4 480 cópias/ml), do que as mulheres que tinham prova de terem sido expostas ao VHB mas que eliminaram o vírus. As mulheres com VHB oculto apresentavam também uma maior probabilidade de uso de drogas injectáveis no presente (54% vs. 32%) e de terem um consumo de álcool “pesado” (23% vs. 9%).
Nenhuma das mulheres com um regime terapêutico anti-retroviral que incluísse 3TC (lamivudina; Epigeus®) – que tem actividade simultânea contra o VHB e o VIH – tinham VHB-ADN detectável.
A hepatite C oculta mostrou ser muito menos comum do que a hepatite B oculta. Das 33 mulheres que no início foram classificadas como tendo infecção VHC oculta, 24 evoluiram para infecção crónica, 8 eliminaram o vírus e apenas uma manteve infecção VHC oculta e persistente.
Os investigadores concluíram que a infecção oculta por VHB está associada á infecção por VIH e pode constituir um problema complicado para as mulheres com uma infecção por VIH mal controlada. A infecção por VHC crónica era comum nesta coorte mas a infecção oculta VHC era muito rara.
Referência
Taylor L et al. Occult hepatitis B virus (HBV) and hepatitis C virus (HCV) viremia in women with and at-risk for HIV/AIDS. XVII International AIDS Conference, Mexico City, abstract THAB0204, 2008.
As infecções ocultas referem-se a infecções persistentes por VHC ou VHB, nas quais não é possível detectar os marcadores serológicos habituais (antigénios ou anticorpos no sangue). Estas infecções só se confirmam testando directamente o material genético dos vírus (VHB-ADN ou VHC- ARN). Devido às diferenças nas definições e nos métodos de teste, vários estudos calcularam uma estimativa de prevalência de VHB oculto entre 0% e 89% e a prevalência de VHC oculto entre 0% e 13%.
Lynn Taylor e colegas da Brown University, procuraram testar estas prevalências e a relação entre o VIH e a hepatite oculta. Foi conduzida uma análise retrospectiva dos dados obtidos entre 1993 e 2000, de 549 mulheres seropositivas para o VIH e de 296 mulheres em risco de se infectarem pelo VIH, da coorte do HIV Epidemology Research Center (HERS).
A HVB oculta foi definida como uma situação em que existe VHB-ADN presente no sangue de modo persistente mas sem detecção dos antigénios (HBsAg) de superfície, enquanto que a HVC oculta foi definida como uma hepatite com VHC-ARN detectável, mas com anticorpos virais indetectáveis em duas análises, com 6 meses de diferença.
Foram usados múltiplos momentos de verificação para diferenciar infecções ocultas e o estado agudo de infecção VHB ou VHC – isto é, antes que o sistema imunitário produza anticorpos suficientes para serem detectados no teste e antes que o AgHBs se torne também detectável – ou ainda eliminação do VHB com desaparecimento do AgHBs.
Na consulta prévia ao inicio do estudo, os investigadores testaram as mulheres para AgHBs (positivo em 2,6%), para anticorpos da hepatite B (positivo em 52%) e anticorpos VHC (positivos para 54%).
Num segundo momento de verificação, foi medido o VHB-ADN e o VHC-ARN, usando o teste ultra sensível da Roche, o COBAS TaqMan nucleic acid assay, que tem um limite de detecção de 15 UI/ml (Unidades Internacionais por mililitro) para o VHB, e de 11 UI/ml para o VHC.
Entre as mulheres classificadas inicialmente como tendo HVB oculta, algumas progrediram para infecção crónica (o que sugere que na primeira visita tinham sido detectadas durante a infecção aguda primária) e algumas eliminaram espontaneamente o vírus, restando 26 mulheres (3,2%) com VHB persistente e oculto na última visita. Examinando apenas as mulheres infectadas pelo VIH, a taxa de infecção oculta e persistente de VHB era de 7,4%.
Todas as mulheres com VHB oculto eram seropositivas, comparando com 79% das que tinham infecção VHB crónica e 69% que tinham estado expostas ao vírus mas que o eliminaram. As mulheres com infecção VHB oculta tinham uma maior e mais significativa probabilidade do que as mulheres com infecção crónica de terem uma historia pessoal de uso de drogas injectadas (89% vs. 57%) e de também estarem infectadas com VHC (88% vs. 43% para anticorpos VHC; 77% vs. 29% para VHC-ARN).
Analisando apenas as mulheres infectadas pelo VIH, as que tinham infecção VHB oculta, tinham uma contagem de células CD4 inferior (205 vs. 326 células/mm3) e também uma carga viral para o VIH mais elevada (36 725 vs. 4 480 cópias/ml), do que as mulheres que tinham prova de terem sido expostas ao VHB mas que eliminaram o vírus. As mulheres com VHB oculto apresentavam também uma maior probabilidade de uso de drogas injectáveis no presente (54% vs. 32%) e de terem um consumo de álcool “pesado” (23% vs. 9%).
Nenhuma das mulheres com um regime terapêutico anti-retroviral que incluísse 3TC (lamivudina; Epigeus®) – que tem actividade simultânea contra o VHB e o VIH – tinham VHB-ADN detectável.
A hepatite C oculta mostrou ser muito menos comum do que a hepatite B oculta. Das 33 mulheres que no início foram classificadas como tendo infecção VHC oculta, 24 evoluiram para infecção crónica, 8 eliminaram o vírus e apenas uma manteve infecção VHC oculta e persistente.
Os investigadores concluíram que a infecção oculta por VHB está associada á infecção por VIH e pode constituir um problema complicado para as mulheres com uma infecção por VIH mal controlada. A infecção por VHC crónica era comum nesta coorte mas a infecção oculta VHC era muito rara.
Referência
Taylor L et al. Occult hepatitis B virus (HBV) and hepatitis C virus (HCV) viremia in women with and at-risk for HIV/AIDS. XVII International AIDS Conference, Mexico City, abstract THAB0204, 2008.
